Aos leitores

Escrito em: 27 de Setembro de 2011 por Gisele de Menezes

Já vi muitas pessoas tristes, eufóricas, medrosas, revoltadas, iludidas, empolgadas, confusas e até raivosas, por causa do que leram. Sobre isso, tenho uma sugestão. Que o leitor ao ser alimentado por qualquer informação escrita, seja ela uma pequena nota, notícia ou até um livro; que permita que a informação passe antes de tudo pelo filtro do coração. É ali, na morada da Alma, que se percebe a Verdade.

Pouco antes de liberar o livro – Uma Viagem no Tempo, Uma Expedição no Espaço, Outra Índia, Outro Jesus – para a última correção junto ao editor e, logo após ter folheado novamente e lido alguns trechos dos livros citados, tive o entendimento que abaixo descrevo quando lia o livro do mestre B.K.S. Iyengar – Luz Sobre los Yoga Sutras de Patanjali – que não foi citado no livro, mas que tornou-se livro de cabeceira e estava entre os demais.

Pois bem, são muitas as escrituras e os escritos que chegaram, chegam e chegarão até “nossos tempos”! Algumas bastante ancestrais, outras mais recentes, como os livros canalizados da Nova Era, entre outros. Das que li, sinto Paz em muitas das originadas na terra hindu. Nos livros aos quais me refiro, pode-se facilmente encontrar uma verdadeira fórmula para uma vida saudável e em Harmonia. Esses escritos ancestrais não fazem previsões ou falam de eventos cósmicos, sem que isso seja direcionado ao Uno dentro de cada ser vivo. São livros do caminho do Yoga, da filosofia Samkhia, Advaita Vedanta, Ayurveda e alguns outros nesta linha. Observei que em comum eles compartilham, em essência, a presença da escrita sânscrita – o que os faz bem feitores.

O sânscrito, conhecido como “língua morta’, a gramática Divina, não pode ser adulterado e tampouco pode significar outra coisa se não a Verdade. São palavras que estão descarregadas de emoção e não comportam alegorias. Daí a Paz, o silêncio e a beatitude que chegam ao leitor, estudioso, curioso ou discípulo.

Dos poucos livros que li, os que não me trouxeram essa Paz a qual me refiro, ao observar que não compartilhavam da presença do sânscrito, concluí: Essa falta de Paz ocorre facilmente pela ausência da gramática sagrada pois, sua ausência abre espaço para que o ego do escritor se manifeste, assim como estou me manifestando aqui. A conseqüência disso é a equivocada interpretação pelos séculos dos séculos e o “tal” do Karma*.

Considero que muitas leituras entulham de “novas verdades” e experimentos a empobrecida mente moderna. Quando o ego do escritor ou pesquisador assume o comando da pena, facilmente podemos ver as interpretações carregadas de emoções. Nestes livros, onde o manifesto do ego se mistura com a inspiração ou canalização, o sânscrito não pode ser a essência pois, é incompatível, uma vez que é translúcido. Ao contrário, a leitura que direciona o leitor para a Verdade Divina, faz com que esse sinta Paz. Ainda que a Verdade doa, continuará eternamente ali e independendo de alguém que acredite Nela. Portanto, não existe esforço nem resistência.

Ainda, quando li Autobiografia de um Yogue, de Paramahansa Yogananda, encontrei as melhores descrições dos ensinamentos de Jesus Cristo. Yogananda foi considerado uma encarnação de Amor Divino. Com ele pode-se entender o advento da passagem do Cristo por aqui. Aquilo sim foi Amor! Jesus certamente tinha tanta Luz de Consciência Lhe conferindo tamanha Presença, que muitos de Seus discípulos não iluminados pela própria consciência, encantados com Seus ensinamentos e, no serviço de relatarem Sua passagem, acabaram por carregar também com impressões do ego, os relatos sobre Suas pérolas. Vejo que,  ao longo das eras, isso nos afastou bastante da Verdade.

Gosto de lembrar que o Senhor Buda, que nada escreveu tampouco, deixou para nossos dias o legado da meditação. A prática onde pode-se observar claramente o quanto somos carregados de pensamentos causadores de impressões, sentimentos e por conseqüência palavras e atitudes destrutivas.

Finalizo agradecendo a todos que tiverem contato com o livro – Uma Viagem no Tempo, Uma Expedição no Espaço, Outra Índia, Outro Jesus – e deixo de presente, o Yoga Sutra 1.1 de Patanjali –

atha yoganushasanam – com oração em busca da bendição, agora começa o yoga*.

 

* Karma – do sânscrito, Lei Universal de Causa e Efeito.

* Yoga – do mesmo sânscrito, união do corpo, da mente e da alma com Deus.

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