De Volta para a Índia 2017

Escrito em: 25 de Dezembro de 2016 por Gisele de Menezes

Por mais que pareça um retorno, como o número mesmo diz, (2+0+1+7 = 10 = 1+0 =1) é um início!

Pensando no que poderia deixar escrito para estes dias em que estarei no distante, sagrado e ancestral solo indiano, me demorei por aqui em meio a palavras, sentimentos, pensamentos, impressões e principalmente atenta à oportunidade que todos possuímos de escolher o que queremos imprimir, pensar, sentir – escrever. Refletindo sobre isto ou aquilo e não querendo querer, quase que não escrevo nada, quase que me recolho ao elevado direito de silenciar, quase que transcendo tantos detalhes que me fazem aqui estar e, não resistindo a vontade maior de existir, o que me faz diferente do outro e portanto orgulhosa – escrevo.

Nos dias de hoje, em plena quinta dimensão no que diz respeito a comunicação e a facilidade de acessar um teclado ou uma câmera e aparecer, expressar, causar… Não posso deixar de constatar que esta facilidade é uma mostra de nosso poder de pensar e criar, querer e manifestar, plantar e colher e vou escrevendo assustada e atenta pois, diferente do que costumo escrever sobre alimentação, hábitos, meio ambiente e assuntos afins, hoje escrevo sobre mim – escrevendo.

Escrevo porque afinal estou retornando à Índia e, por mais que esteja “na moda” e pareça simples, sou antiga e acho muito denso fazer este percurso todo em uma engenhoca voadora absurdamente mais pesada que o Ar, acho realmente incrível este movimento! Facilidade perigosa dos dias de hoje que não me deixa à vontade, pois não me acostumo fácil com o que considero espetaculoso – escrevi.

Registro ainda que sei que temos tecnologia disponível para tornar este momento mais um evento superficial e passageiro, mas ainda mantenho algumas manias tais como, ser proprietária de um aparelho celular daqueles “Nokia” antigos que sequer identificam a chamada ou possuem whatsapp!!! O diferencial deste obsoleto aparelho é que ele provavelmente não explodirá e não me chama a todo o instante avisando que o “tempo não para” nesta era de apressados e ansiosos insones. Sendo assim, escrevo para enfatizar meu reconhecimento de que, de acordo com minhas escolhas, ficarei por lá sem celular e sem grandes conexões com este mundo virtual que liga todas as pessoas, casos e coisas em tempo integral – escreverei.

Vou assim à moda antiga e na mochila que emprestei com meus filhos levo um velho e confortável pijama, umas camisetas quentinhas, havaianas presenteadas por uma amiga que encontrou um modelo clássico quase ancestral lá em Goiás e imediatamente lembrou de mim, umas coisinhas e paninhos a mais, nada para descartar e o cuidado de estar bem vestida para os padrões daquele povo – sem ombros nem pernas de fora – escreveram.

Vou pulsando com fervor em lá aprender e me fortalecer no caminho já escolhido e consolidado. 

Aqui neste amado lado de cá, que será o solo distante por um bom período, esforço-me para deixar o meu melhor inclusive neste escrito e deixo também minha amada família, meus amados amigos, meus amores caninos, felinos, canteiros de flores, orquídeas, livros preferidos, panelas relíquias  e vou… fui.

Deixo para me renovar

Assim foi quando fui à Índia pela primeira vez em 2007, foi um deixar e caminhar para o novo. Talvez naquele momento a mão forte do meu companheiro nesta vida e a data indeterminada para retorno tenham me feito mais segura da ida, mas agora vou de mãos abanando, ou melhor, agarrada somente em um livro do Mooji, aonde ele declara seu Amor por Arunachala, em Tiruvannamalai, Tamil Nadu. Foi esta cidade descrita no roteiro oferecido pelo Dr. Ruguê, meu mestre em Ayurveda e protagonista desta viagem que faço agora, que me fez decidir retornar a Índia neste momento de minha vida. Tenho especial apreço por Ramana Maharishi, o sábio de Arunachala, da tradição Advaita Vedanta.

A vida vai nos mostrando, com o passar dos dias, anos e ventos, que o que afirmamos com o nosso coração, que o que é nosso por busca verdadeira, cedo ou tarde se manifesta sem esforço. Quando digo “sem esforço”, me refiro à ambição que atropela o fluxo natural e causa grande desgaste à vida por cristalizar movimentos suaves. Lembro que ao retornar da Índia em 2007, havia afirmado que, se lá voltasse seria para estar o mais próximo possível deste lugar que acolheu tamanha Luz e é sítio da adorável personificação do Senhor Shiva – a montanha Arunachala.

arunachala

Acredito que terei uma nova oportunidade para entrar em contato com outra cultura e os ensinamentos de lá,  sem ser ninguém, sem ter que saber nada, sem nada exigir por não saber o que, sem realmente ter que fazer nada além de CUIDAR DE MIM. Tamanha leveza! Entrego-me ao vazio destes teres, fazeres e seres e sinto liberdade.

Liberdade é uma joia preciosa!

Eu bem poderia ter escolhido ir e aprender em outro lugar de cultura diferente da que vivo nesta vida que conheço, afinal é sabido que cada povo, povoado, vilarejo ou família, em cada ponto do planeta, sabe o que pratica ou pratica o que sabe, ou os dois e assim sempre temos a aprender. Toda a cultura deve ser preservada e respeitada pois é a Arte do viver. Entretanto o Ayurveda me encanta! Ayurveda, como a própria palavra diz, Ayur = vida e Veda = conhecimento, em sua complexa estrutura, em seus vários tratados datados de milhares de anos, é um conhecimento incorruptível, tendo sido recebido divinamente. Desta ciência a limpidez, clareza, luz e singeleza me arrebatam assim como a muitas pessoas em todos os lugares e tempos. O Ayurveda está de braços abertos e pode ser adaptado a qualquer cultura, saber, prática, pois é Natural e integrado com a Vida.

Om Sri Bhagavan Dhanvantaraye Namaha!

O Ayurveda, recebido e passado por sábios videntes aos seus discípulos e assim tradicionalmente até os dias de hoje, me faz lembrar alguns simples ensinamentos que trago e que ao serem vivenciados acalmam meu coração. São ensinamentos, práticas e pontuais receitas ancestrais que ecoam dentro de mim e chegaram pelos meus avós, tios e pais. Sinto afinidade com o viver simples envolvida com a observação do meio, do momento, do entorno – da vida dentro e fora. Sempre encontro a sabedoria ancestral nestes gestos e constato o quão atual é a sua especialidade. Uma cultura com o seu saber e ancestralidade bem conservados é uma particularidade da Índia. Vou novamente até lá para reverenciar minha própria ancestralidade – Que eu escreva.

Estarei em solo indiano novamente, que Alegria!

Para esta pequena jornada levo ainda na mochila já viajada um objeto mágico – um velho caderno. Este caderno adquiri lá mesmo há 10 anos. Naquela ocasião usei menos da metade do caderno com anotações, datas, insights e, ao retornar ao Brasil e passar a limpo os registros, acabei publicando um livro de 200 páginas.

A Índia realmente é inspiradora!

Talvez neste novo momento, já tendo trilhado os caminhos ayurvédicos por 10 anos e usufruindo de tantos frutos resultantes dessa retidão na caminhada, ao preencher o restante das folhas amareladas com uma boa BIC, possa eu em algum momento concluir outro livro. Sim eu posso – escrever.

Bem, andei dizendo para algumas pessoas que se interessaram por saber o que me motiva a fazer tão exótica viagem, que não estou esperando nada da Índia e, agora que fui escrever esta “despedida temporária”, vi que espero sim e espero muito. Pontuando: espero saber me cuidar, espero escrever outro livro, espero aprender, espero não esperar e outras esperanças mais. Acabo de ver, para minha mais profunda liberdade, que sou normal. Tenho expectativas e entusiasmo pela experiência de estar viva. Então agradeço. Que bom!

Deixo aqui para fazer precioso este escrito, um poema que ilumina minha mente que está sempre necessitada de clara atenção e bons pensamentos. Compartilho na intenção de auxiliar outras mentes e como forma de agradecimento por todas as nossas relações. Hari OM!

… na floresta não existe ignorante ou sábio. Quando os ramos se

agitam, a ninguém reverenciam. O saber humano é ilusório como a serração dos campos que se esvai quando o Sol se levanta no horizonte.

Dá-me a flauta e canta. O canto é o melhor saber e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.

Na floresta só existe a lembrança dos amorosos. Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.

Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.

(K. Gibran)

krishna

Hare Krishna!

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7 comentários em: De Volta para a Índia 2017

  1. Kennia: 10:02hs de 3 de Janeiro de 2017

    O primeiro parágrafo do poema!,tenho escrito e colado na paredeem frente à mesa q trabalho!
    Vai com Deus e Deusas! Que sejas protegida. Amém!

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  2. Maria: 10:55hs de 3 de Janeiro de 2017

    Querida Gio esta viagem esta marcada nas estrelas, e com certeza sobrepassara qualquer expectativa, teu coração, tua alma e tua mente estão mas que prontas para receber toda a beleza e conhecimento que nossa querida e caótica Índia tem para oferecer. Teu coração tem o ingrediente principal para encarar esta caminhada AMOR… Aum

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  3. Dalva poggetti de Menezes: 15:55hs de 3 de Janeiro de 2017

    Filha amada, lindo teu relato! Estou feliz que mais uma vez retornes à India, e em tua volta vou querer saber tudo! Muito tenho aprendido ccontigo filha, estarei para te receber na volta de tua jornada, e como sempre saber oo que quiseres me dizer! Já estou vendo teu segundo livro ( O Retorno) Novamente será um sucesso!! Boa viagem filha e um retorno em breve! ! DEUS e Deusas estarão te protejendo sempre! Eu estou dando minhas bênçãos para ti filha querida Aum

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  4. Lili: 21:48hs de 4 de Janeiro de 2017

    Que alegria, amada, Gi! Que a deusa está contigo a cada passo da jornada! _/\_

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  5. Rox: 19:56hs de 8 de Janeiro de 2017

    Obrigado pelo Blog Gisele!

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  6. paulo caruso: 12:13hs de 5 de Março de 2017

    Somente o conhecimento de si mesmo , o conhecimento de nosso interior, pode nos levar à vida plena que é o próprio objetivo de nossa vida. Nao é o acervo de erudição, o saber da cultura acumulada pela humanidade, a ciência, enfim, que nos realiza como pessoas humanas e nos propicia a paz espiritual e a verdadeira felicidade. Os grandes filodofos ou cientistas podem ser homens maus, infiferenres aos demais seres humanos. Nao sao na verdade sabios porque nao sao integrais. Os homens sabios e compassivos sao necessariamente os que entram em contato com a fonte de sua espiritualidade, o silêncio da mente, a paz interior.

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