Quem está Feliz?

Escrito em: 5 de Dezembro de 2015 por Gisele de Menezes

A pergunta – quem está feliz? – é uma chave para a compreensão do Ser. Se buscamos felicidade é importante que saibamos que estamos nos afastando do Agora. Buscar é um esforço motivado por uma idéia de que algo deve ser atingido, conquistado, adquirido. O que estamos buscando provavelmente está fora do Agora.

Ainda que sintamos imensa insatisfação, é importante saber quem está insatisfeito!

Ao olhar para as sensações, emoções e pensamentos que estão guiando nossas vidas, novamente, caso estejamos felizes e não insatisfeitos, podemos sondar a pergunta – quem está feliz ou estaria feliz se…?

Se fazemos a “pergunta chave”, estamos chamando a atenção ao Agora. Já é sabido que a única posse real que temos está no Agora. A felicidade está condicionada a algo, sim está, pois existe a infelicidade. Geralmente está condicionada a uma posse, à permanência de alguém, a uma conquista ou a algo que necessita esforço para que se mantenha e na realidade não está sob nenhum tipo de controle, porque é irreal e por sua vez – impermanente.

Se o objeto da felicidade é passageiro, irreal, condicionado a algo, então a felicidade não é algo que deva ser buscado. Não devemos gastar energia com a tal felicidade, buscar o que não pode ser mantido sem desgaste. Podemos por oportuno, dar um espaço ao Ser e somente controlar nossa atenção, colocar nossa energia nesta senda. Estando “atentos” entramos no Agora.

O Agora é a morada do Ser. É o que é. É permanente se percebido. É desprovido de anseios. É pura atenção. É cada momento, cada respiração. E cada respiração no Agora, é uma respiração a menos na eternidade. Quando dermos a última respirada, chegamos na insondável eternidade e somos a própria respiração. É o que realmente somos!

Já é hora de respondermos a pergunta: – Quem está feliz?

Olhando para o objeto da pergunta, que é indireto, começamos a trilhar o caminho para dentro. Precisamos conhecer “quem”. Já sabemos que a felicidade não é permanente, então “quem” já não é imperativo e, neste espaço insondável o “quem” parece perder a importância. Assim, andando para trás, ou para dentro, meditamos na possibilidade de não precisarmos realmente de nada. Respiramos apenas!

Estamos falando da dissolução do ego? Se encontramos, nesta atenção, o ego, então podemos perceber que este era o regente da busca, ou fuga. Entender que o ego tem a idéia de que algo é bom ou algo é ruim, é ir direto ao fator condicionante. O ego, carregado com os filtros da percepção, com as interpretações, as experiências e todos os excessos de julgamentos, é o “quem” querendo ser feliz. Este jamais estará seguro ou satisfeito! Desperdiçará uma vida se contentando com momentos felizes e se escondendo nos momentos infelizes. Pobre “quem”!

Pronto, achamos juntos o sujeito e agora só nos resta descartá-lo e seguir. Usemos o “sujeito” para atravessar a rua, cuidar de necessidades básicas e aparecer nas fotos. Mas não percamos de vista a atenção. A atenção é um estado de Alegria aonde tudo e nada são brincadeiras como dia e noite. É puro movimento, é vida acontecendo e podendo ser testemunhada pelo “atento”. Quando dormimos, por exemplo, estamos na plena atenção ao sono, nos entregamos e nos dissolvemos. Se observarmos com imparcialidade, veremos que o corpo não quer estar sujeito ao ego, pois sofre danos irreparáveis se usado por “este”. O corpo serve a energia vital inteligente, pois independente do que achamos ou buscamos, o corpo é sustentado em suas milhares de funções, por algo que independe de nossa inteligência pessoal. Se estamos atentos a isso, nossa vida muda, pois nossos hábitos serão imediatamente sacrificados em prol da saúde e da Paz necessárias ao corpo, que é casa do Ser e não do “quem”.

Concluindo, como o “quem” sequer tem casa, é invasor e na maioria das vezes ao usar a casa é maléfico, já não importa se está feliz, triste, satisfeito e nem mesmo alegre, pois sendo condicionado é descartável. Feliz pode ser o estado do “atento”.

Na verdade o título lá em cima poderia ser “ATENTO”, mas talvez não chamasse a atenção do “quem”.

Pela atenção, sou Grata!

AUM!

 

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