Rede Social – a Folia dos Elementos

Escrito em: 20 de Outubro de 2017 por Gisele de Menezes

Estava ali dando uma volta virtual, brincando de passar a vida ou, vivendo-a como passava e assim respirava. Talvez a respiração, por eu estar distraída, não tivesse o potencial de Prana que poderia ter mas, vivendo, brincando, estava por ali “navegando”. Foi quando escutei ao meu lado um pedido indignado do Sherpa: – Você pode entrar no perfil do “fulano de tal” que preciso ver sobre ele a fim de entrar em um “tal de curso” que gostaria de fazer? E acrescentou – ter um cadastro na rede social é pré requisito, que saco!

Tendo escutado o pedido lá fui eu rapidamente digitando o nome da “tal pessoa” e, bem, acredito que o resto desta frase se faz dispensável ao público que quero atingir com este post. Certamente meus leitores já sabem sobre a diversidade de tentações que podemos encontrar dentro da Rede Social e, sendo assim, sigo com o assunto que interessa ao meu propósito nesta comunicação. Quero compartilhar meu entendimento sobre um grande desequilíbrio causador de doenças – a Folia dos Elementos!

Os elementos dos quais falarei compõem os cinco grandes elementos, Terra, Água, Fogo, Ar e Éter ou Espaço. Todos importantes e componentes de tudo o que há segundo a Ciência da Vida – o Ayurveda.

Ele olhava a Linha de Tempo da “tal pessoa” para encontrar o que procurava e ao lado dele eu olhava o que não estava procurando, apenas olhava. Curioso olhar sem estar procurando, se faz bastante interessante pois, ao fazermos este olhar nos deslocamos para um ponto de atenção sem foco específico. O foco é uma característica do elemento Fogo – visão, luz, direção, julgamento, crítica, discernimento, são atributos deste elemento. Ao contrário, no olhar relaxado, ainda é o Fogo que está Presente, afinal é luz, cor, calor mas, sem o interesse do dono do olho que vê, é contemplação.

A ausência da procura é o estado contemplativo e isso muda a visão para um outro estado de Atenção. O olhar relaxado permite que a Água circule nos olhos que enxergam. Este olhar equilibrado entre Fogo e Água é como o olhar da criança sem pré-conceitos, é infantil, curioso e perspicaz por Natureza. É o olhar perfeito para encontrar algo novo e “sacar” talvez, algo velho. A sutil manipulação dos novos ou velhos conceitos.

Ao passarmos muito tempo rígidos e carregados de “procura” em nossos olhos e ao nos distanciarmos da causa primordial do olho que vê, que é a contemplação, ressecamos o ambiente ocular. Este é um dos motivos de doença que o Ayurveda trata com o procedimento de umedecer os olhos com um preparado de gordura e ervas. O tratamento vai além do físico e, a mente agitada e rígida daquele que vê também é tratada com terapias sutis como mantras, pranayamas e yoga.

Neste olhar relaxado fui atraída por um vídeo. O vídeo que me atraiu era forte, causava impacto visual e auditivo. A visão está ligada ao elemento Fogo como já descrevi acima e o elemento Éter ao centro de percepção – audição. O aumento do elemento Fogo, estimulado pela visão, que resseca o ambiente ocular por aumentar o elemento Ar no organismo daquele que vê, também acarreta outros desequilíbrios. O Ar é o elemento que dá as bases para o pensamento e É o próprio movimento. No ambiente auditivo que é Espaço, tudo pode ser criado e aceito pela mente que escuta e logo age, manifestando-se na Terra. Agora imaginem o perigo que pode conter, como uma semente que tem o potencial de milhares de frutos, um vídeo bem feito e mal intencionado!

Ultimamente o Sherpa tem repetido que o ponto é a intenção. É só perguntar qual é a intenção para qualquer ação, diz ele, e eu particularmente acho que é uma excelente pergunta a se fazer. Qual é a intenção deste ou daquele vídeo, ou do “seja lá o que for” que está gerando uma ação que será percebida e certamente desencadeará outra ação?

Vamos ao conteúdo do vídeo e ao que importa sob uma ótica infantil como descrevi ali em cima, afinal abaixo da telinha do vídeo que me atraiu e no qual “cliquei” estava escrito no canto da esquerda o seguinte:

447.105 visualizações!

O vídeo que circulava na Rede Social mostrava o perigo dos produtos químicos. Sabemos que hoje eles estão em todos os produtos oferecidos pela indústria mas, o vídeo focava especificamente nos cosméticos. Um vídeo muito bem feito com formas e cores que passam a ideia de texturas e composições diferentes realmente chamando a atenção daquele que vê. No audio a voz de uma mulher falava de produtos químicos cancerígenos e mais um monte de adjetivos sobre doenças que “apavoram”, com um tom futurista e uma música forte. O vídeo vai revelando o óbvio de forma muito atraente. Cenas do uso dos produtos que ganharam o “amor” das mulheres, meninas, filhas, moças e mães.

Fui olhando e achando incrível as revelações e pensando em também compartilhar e, de repente, misturado com todo o apelo visual e auditivo e com o Espaço que o vídeo vai causando ao fazer as pessoas ficarem com medo, estava a voz da mulher e a legenda que acompanhava o que era dito a afirmar: – “as mulheres fazem isso para esconderem suas imperfeições”.

Esconderem suas imperfeições?!

Achei muito mal intencionado o tal vídeo, perigoso mesmo. Estejam atentos amigos! É mais um vídeo que usa toda uma ideia de esclarecimento mas que não dá solução, não orienta, não sugere, não cura. Ao contrário, cria mais insegurança e um conceito que não aceito. Nossas marcas, formas, corpos, são como são e são sagrados. Imperfeição é a mente do homem que não trata todos os aspectos da vida como manifestações sagradas e fomenta ideias caóticas para aprisionar os desatentos.

Amor e União

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