Salto Alto – Um Elo Com a Escravidão

Escrito em: 17 de Dezembro de 2011 por Gisele de Menezes

Tenho caminhado com os pés totalmente no chão e, aqui de baixo, tenho observado algumas coisas que acho que poderão interessar algumas mulheres acordadas, outras que estão acordando e as que ainda se encontram dormindo em seus saltos altos.

Os objetos ao lado são chamados hoje em dia de sapatos ou sandálias e são vendidos com seu consumo incentivado como objetos bonitos, elegantes, sensuais e até confortáveis!

Frequentemente podemos ver mulheres “elegantes” circulando pelas ruas, shoppings, passarelas, centros profissionais, maternidades, hospitais, praças, calçadões; caminhando, passeando, trabalhando ou dirigindo seus carros e até transportes coletivos. Se elas estão pousando para fotos ou em boa companhia, até estão sorrindo, mas se estão fazendo estes trajetos em solidão, convido os leitores deste post a observarem seus rostos. São mulheres jovens, maduras, meninas, magras, pesadas, ricas ou pobres e todas, com raras exceções, trazem no rosto uma expressão amarga. Parece que algo de ruim está acontecendo, elas não tem uma expressão suave, tranquila, alegre, contemplativa. Parecem estar com dor! Sim, estão em cima de instrumentos de tortura, esforçando-se para caminhar, equilibrando-se em um centro de gravidade alterado, forçando suas preciosas articulações, limitando sua circulação sanguínea, sobrecarregando seus corações, encurtando seus tendões, desgastando seus joelhos e achando que algo pode não estar bem, mas não sabem o quê. Algumas até dizem que estão tristes e sequer sabem o motivo.

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que podem sentir-se confortáveis, seguras, conectadas com a Natureza nessas condições? Será que sentem-se realmente em Harmonia? E seu centro de gravidade está alinhado com o que?

Podemos observar a Natureza para tirar algumas conclusões, recolher alguns fatos e refletir.

Geralmente as mulheres sofrem de dores físicas para começar… E procuram motivos por muito pouco tempo, encontrando rapidamente remédios que atendem ao imediato bem estar. Ficam encantadas lembrando de algo que já se foi, de algo que foi bom, e seguem desconfortáveis cumprindo o protocolo.

 

Sequer entendemos porque fazemos o que fazemos, mas fazemos. Fazemos porque nos disseram que é bonito, e acreditamos porque na verdade estamos inseguras, afinal com os pés fora do chão, quem é seguro de si, quem tem auto-estima?

As vezes as pessoas que ditam as regras, que se tornam símbolos sexuais, símbolos de fama, poder, elegância, duram muito pouco, morrem geralmente drogados, solitários, desesperados. Mas deixam algo que a mídia vai usar incansavelmente para “vender”, criar insegurança, competição, desgraça, doenças e certamente dar muito lucro. Sequer questionamos porque o mito se foi e nos mantemos por décadas ou séculos repetindo o padrão.

Não sei quem inventou o salto alto, mas todas as mulheres devem muito a essa pessoa. Marilyn Monroe.

E quem inventou o salto alto?

Apesar de não haver indícios sobre quem criou o salto alto, sabe-se que ele foi amplamente utilizado a partir do século 17 na corte do rei Luís XIV (1643-1715), da França, que abusava do luxo, das perucas e dos sapatos de salto. Dizem as más línguas (e os registros históricos) que Luís XIV não passava de 1,60 metro, por isso adorava sapatos que pudessem aumentar sua estatura. 

Aqui faço uma interferência na história. Para mim, ele era um lunático com complexo de inferioridade e que não caminhava ou trabalhava.

Apesar disso, o salto ficou realmente conhecido no reinado seguinte. Luís XV não só levou a fama, como também virou nome de um tipo de salto, largo na ponta e na base e afinado no meio. “O salto era peça exclusiva do vestuário masculino e apenas na corte de Luís XV passou a ser utilizado por mulheres”, diz João Braga, coordenador do curso de história da moda do Senac, em São Paulo.

• Apesar de o salto alto “moderno” ter surgido apenas no século 17, açougueiros egípcios já utilizavam plataformas para manter os pés longe da sujeira. 

E por falar em egípcios, procure um só rei, faraó, rainha, divindade ou nobre, de salto alto. Você somente encontrará o uso de saltos e sapatos por escravos e servidores.

Algo me diz que quem sabe como usar a manipulação em benefício próprio, sabe muito mais do que podemos imaginar. Sabe talvez que nossos pés são como antenas negativas que nos conectam com a Terra, que funcionam como aterradores. Sabe também que o chakra de base, ou muladhara chakra está relacionado com o nosso instinto e tem seu ponto reflexo na sola dos calcanhares e que com este ponto no chão, nos sentimos seguros, fortes desacelerados, satisfeitos, protegidos e mais uma infinidade de atributos que nos conferem “Conhecimento Primário”. Talvez também saibam que os mindinhos são correspondentes a uma zona do cérebro e também, especificamente aos dentes.

Hoje em dia encontramos mais e mais pessoas com bruxismo, um disturbio do sono caracterizado por apertar os dentes. Olhem o que fazemos com nossos dedos dos pés e principalmente com os mindinhos.

Aprecie o Natural e imagine o sacrifício para colocar o belo dentro do “moderno”.

E para informar um pouco mais, observe abaixo os pontos de dor e os problemas mais frequentes dos dias de hoje.

Apesar dos notáveis avanços no campo da farmacologia, modernas técnicas diagnósticas e recursos terapêuticos, a prevalência da dor crônica tem aumentado progressivamente. No Brasil, cerca de 50 milhões de pessoas padecem de algum tipo de dor. É o principal motivo de procura por assistência de saúde, sendo considerado hoje um sério problema de saúde pública.
Dor crônica é aquela que perdura por meses e até anos causando altos níveis de stress emocional que, com o tempo prejudica seriamente o psiquismo e produz conseqüências desastrosas na vida das pessoas. Causa impacto negativo sobre muitas doenças e sua recuperação clínica. A dor é considerada hoje uma porta de entrada para muitos distúrbios físicos e psicológicos.
Algumas características do nosso ambiente físico, nem sempre ergonômico, cheio de barreiras arquitetônicas que atentam contra a boa postura, mobilidade e segurança das pessoas, como os Saltos Altos por exemplo, provocam acidentes e estimulam a cronificação da dor física.
As principais conseqüências psicológicas da dor crônica são angústia, ansiedade, medo, raiva, irritabilidade, tristeza, depressão, desconfiança, mudança na percepção corporal, diminuição da auto-estima e sentimento de rejeição social e profissional. Além disso, o sofrimento pela dor prolongada pode alterar o sistema de crenças, gerando sentimento de desamparo e preocupações em relação ao futuro. Restringe ou impede a atividade física, dificulta o convívio familiar e social, inibe o interesse e a prática sexual, piora a qualidade do sono, agravando a condição geral de saúde que, por sua vez, compromete a percepção e o manejo da dor, além de agravar doenças pré-existentes e reduzir a imunidade do organismo. Por todas essas razões, a eficácia dos tratamentos da dor crônica não é fácil.

Enquanto trabalharmos para tratar a dor, de todas as formas imagináveis, estaremos desviando do ponto de mudança.

O que me causa dor?

Se mudo, tiro o Salto Alto, chuto o balde e dou uma caminhada com os pés no chão, talvez todo o sistema de dominação e lucro se quebre. Talvez deixemos de ser, por andar com nossos pés bem colocados no chão, consumidores ansiosos.

Mas será que queremos isso? E como vamos ter lucro? Afinal pode não estar doendo tanto assim e seguimos com nossas caras amarradas e nossas modernas e tão chiques TPMs.

 

Pobres mulheres escravizadas pelo sistema da mesmice! Será que acordarão e queimarão os aparelhos de consumo em praça pública como fizeram com seus sutiãs, antes que tenham problemas de coluna, dores lombares, ciáticas, degeneração de cartilagem, artrose, joelhos cruzados, complicações na circulação, joanetes e mindinhos atrofiados?

Será que continuaremos sendo produtos de consumo, manipulados por mitos?

E quando a velhice chegar?

 

 

 

 

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5 comentários em: Salto Alto – Um Elo Com a Escravidão

  1. Rosane Costa: 20:38hs de 18 de Dezembro de 2011

    Prezada Gizele, estou encantada comtudo que estou lendo de sua viagem e vou com toda certeza comprar teu livro, você é maravilhosa e de alma iluminada. Parabéns, que tua caminhada seja sempre de muita luz e sabedoria. Saiba que vou ler sempre suas matérias e textos. Gratidão por tua existência.
    Sou massoterapeuta, faço shiatsu e amo tudo isso, corpo, mente e espirito.
    Namastê

    Responder
    • Gisele de Menezes: 20:41hs de 18 de Dezembro de 2011

      Grata! _/\_

      Responder
      • samira: 21:59hs de 18 de Dezembro de 2011

        um detalhe.
        um desconforto, um “estilo automático” do salto. do estar nas alturas e caminhar, para alguns, elegante…
        porém, a coluna grita, os músculos se encurtam, a dor se manifesta…mas é tão normal tomar um remédio para aliviar né?
        mas no final do dia, ao chegar em casa, tira-se o salto alto.
        um alívio. e uma pergumta: porque usar isso?
        muito melhor bater com os calcanhares no chão e sentir vibrar a energia da Terra!

        Responder
    • Mayara: 0:38hs de 27 de Dezembro de 2011

      Mais uma vez suas matérias me ajudando! Você é uma LUZ na minha vida !
      Sabe usar as palavras, tem o DOM para saber usá-las.

      Uma boa entrada de ano pra você! Desejo-te muito AMOR, que nada mais é que a unificação de tudo e todos, e é o que sinto todas as vezes que entro neste blog.

      Muito amor ! Abraços.

      Responder
  2. Luciana: 20:55hs de 11 de Janeiro de 2012

    Gisele, foi um prazer enorme dar de cara com seu blog durante uma pesquisa no google, adorei o texto, o blog e tudo mais! Obrigada e Parabens

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