Informe Publicitário

Escrito em: 3 de Agosto de 2009 por Gisele de Menezes

Estive assistindo televisão um dia desses, era uma sexta-feira de Lua Crescente. O programa que não poderia deixar de ver me foi indicado por alguém que conheci, a pessoa teve problemas diretos com o assunto em questão e pediu que assistisse. Senti um chamado para sentar na frente do aparelho e ver como as pessoas estão alimentando seus olhos e seu intelecto. Fiquei chocada!

No início, curiosa pela oportunidade de ver as coisas com a visão dos outros, sabe-se lá quem são os outros, liguei o velho aparelho.

Pode parecer bizarro, mas tive que disponibilizar um local para o evento, pois não possuo televisão. Preparei tudo, tomei banho, arrumei um confortável espaço e liguei o aparelho um pouco antes de iniciar o programa. Aproveitando o acontecimento, o fato de estar ali e disposta, observei um pouco da comentada novela do momento. Sobre artistas e apresentadores, pareceu-me que a maioria estava com máscaras de plástico. Alguns não mexiam com a boca de forma natural e não expressavam muito bem sua força, pareciam frágeis e tristes, outros se pareciam muito com a figura da fera no clássico “A Bela e a Fera” de Walt Disney, que foi filmado ha um tempo atrás. Lembrei-me do rosto do personagem e da maquilagem grosseira, feita com enxertos para distorcer o rosto da Fera que, por baixo da aparência horrenda, era bela.

Curioso que o enredo da novela também era estranho, assisti dois capítulos e não identifiquei nada parecido com o que vivi na Índia quando estive por lá em 2007. A novela deve ter a proposta de trazer a cultura indiana para o Brasil, mas com cara de Brasil. Bom, apesar das estranhezas, continuei observando. Quando houve a pausa, entraram os tais comerciais, ou informe publicitário, nunca pensei que pudesse assistir a tamanho apelo declarado ao consumo! Toda aquela tecnologia usada para entrar nos cérebros dos espectadores indefesos e criar desejos materialistas dos mais diversos. Fiquei com uma dor “fininha” na cabeça e meus olhos um pouco cansados, coisa que não estou acostumada. Foi boa a experiência do desconforto físico para lembrar-me de reafirmar o que não quero. – Não me acostumarei com a dor, não usarei óculos de descanso e não tomarei analgésico.

O programa retornou e segui observando, mais parecia uma novela mexicana que já ouvi rotularem de “tosca”, mas era o programa do horário “nobre”. O que é “nobre”? E se houver definição para nobreza, quem definiu?

Finalmente o programa terminou e outra leva de “informes publicitários” veio em velocidade lancinante. Fechei meus olhos, pensei que este seria um bom momento para usar aqueles óculos de plástico preto, que vejo tantas pessoas usando em horários de Luz e ao Ar livre. Pensei em adquirir um destes para quando precisar olhar novamente algum programa em horário nobre. Nossa! Mal fiquei na frente da “telinha” e já estou tendo impulsos consumidores! Que efeito rápido! Imaginem se as pessoas usassem esta tecnologia poderosa e invasora, para educar as pessoas a estarem acordadas de dia e dormindo à noite? Talvez isso não desse lucro ao sistema. E de que adianta um sistema com pessoas malucas com tantas necessidades e doentes acreditando que são o que a TV tem dito ou ditado a elas? O sistema é mesmo o câncer da Mãe Terra! Quem será este sistema? Cada vez que paro para observar as tendências da humanidade, entendo melhor o filme Matrix, o trabalho mostra muito bem essa relação.

Iniciou o programa que me fez sentar à frente da televisão, a apresentação foi bem interessante, falaram sobre sexo fora do casamento, virtual e real. Vamos ver como conduzem esse assunto tão triste e delicado. Fiquei bem atenta, não concordei com uma psiquiatra que pareceu aceitar o desvio doentio e não alertou as vítimas de ambos os lados da real causa deste mal. Eu indicaria Meditação com o objetivo de identificar que as sensações são efêmeras e se não nos mantemos em equilíbrio, nossas ações tomam forma e temos que lidar com os resultados. Tudo bem, não posso ser radical, afinal não sou psiquiatra. Pois bem, ao longo do programa, que mostrou pessoas infelizes, machucadas e desiludidas, outros blocos de informes publicitário vieram e para meu maior espanto, até um endereço eletrônico foi divulgado para quem ainda não vive o problema. Sim, se você ainda não tem uma relação ilícita e desequilibrada, se não tem problemas suficiente, entrando no endereço eletrônico divulgado no “nobre programa”, terá a oportunidade de adquirir um casinho para você. Só para você enquanto não vier à tona e se tornar algo parecido com o que estava sendo mostrado no apelo humano. Um desastre social. Quanto será que pagaram por aquela propaganda? E quantos se beneficiarão dos males que virão se mais pessoas também entrarem no sofrimento? Acho que o tal sistema está por trás disto também.

Aquela propaganda em “horário nobre”, entre um intervalo de um programa que toca muitas pessoas, foi exposta de forma estratégica para que os espectadores que ainda não sofrem daquele mal, tenham a oportunidade de clicar e juntar-se aos que dormem de dia e ficam acordados à noite. Vejo que é uma grande guerra e que só causa dor. Parece que o prazer é maior que a dor. Deve ser por isso que muitas pessoas estão raivosas, certamente sentem dor. O que sei, é que a raiva está fundada na dor.

Nossa, que destino cruel algumas pessoas escolhem! Que falta de percepção do poder do livre-arbítrio!

Vejo que todos que entram na senda do consumo de prazeres sejam eles gastronômicos, sexuais, visuais, auditivos, ou intelectuais, são vitimados por grandes buracos internos. Todos parecem querer preencher algo e de alguma forma, mas não sabem o quê. Parecem desesperados e infelizes, talvez estejam olhando muita TV, ou dando crédito ao frio aparelho.

Quanto aos informes publicitários, que sejam bem vindos todos os publicitários da Nova Era! Mãos à Obra meninos!

Para partilhar –

Despertem da melancolia da ignorância. Vocês fecharam os olhos no sono da ilusão. Acordem!

Paramahansa Yogananda, Onde Existe Luz

Tags:

Um comentário em: Informe Publicitário

  1. Ludmila: 18:34hs de 12 de Agosto de 2009

    Gisele,

    Grande observaçao sobre sua experiencia…a TV representa um perigo dentro dos nossos lares…muitas vezes nao pensamos no que esta sendo veiculado ali…quanto ao programa sobre sexo fora do c asamento,apresentou de forma muito cortada,a dor das pessoas…vc tem razao ans observaçoes que fez>!

    Responder

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado.Campos obrigatórios estão marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

  • Etiquetas